São Arrius: amável patriarca e defensor do Deus Único
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No dia 10 de dezembro, homenageamos uma figura venerável, que caminhou sobre este mundo com a bandeira do evangelho estendida em seu coração e que para nós é muito amada. Essa figura teve então o seu nascimento no século terceiro e colocou seu coração a serviço da Luz, buscando realmente ser sinal de Cristo sobre este mundo, por todos os seus dias.

São Arrius era um Bispo de Alexandria, cidade localizada na parte oriental do império Romano e ali ele pregava para todos sobre essa compreensão pura da mensagem do Cristo. Ele falava a todos sobre o Cristo missionário de Deus, enviado pelo Pai para nos abrir as portas para o Céu, daquele que veio trazer o conhecimento que nos leva à salvação – isso porque, até a vinda do Mestre ao mundo, não havia essa possibilidade para o ser humano.

São Arrius ensinava a todos, sem distinção de classes, era um homem muito culto e amável, que cantava as suas composições inspiradas junto aos jovens, além de proclamar poesias cristãs em amor e louvor ao Céu. Essa pura compreensão nós guardamos também, com o mesmo amor de São Arrius – esse tesouro apostólico que nos afirma: O Pai é Eternamente Criador e o Cristo é seu filho, dileto, perfeito, a Sua primeira Criação.

E ele tomava muito cuidado com essa informação, para que ela não se perdesse do coração humano, porque Jesus é perfeita criação Divina, o primeiro criado no tempo, e ele se dignou a vir a este mundo por amor Celeste, para anunciar Aquele que É Eterno que é Deus. Jesus vem ao mundo para que o ser humano possa conhecer sobre Deus, Pai Criador e nunca deveria ter sido confundido com o próprio Deus.

Esse é um tesouro apostólico: Só Deus é Grande, Único e Eterno Criador.

A questão principal que marcou toda a controvérsia cristã se deu no Concílio de Nicéia em 325 D.C., onde a incompreensão humana gerou uma confusão teológica, que desencadeou uma mescla terrível entre a figura do Cristo e o Deus Único, isso já pelas mãos do Império Romano. O imperador, buscando unificar o seu império, centralizou e unificou também no sentido religioso, convoca um concílio e, infelizmente, muito mal informado por aqueles que o cercavam, passa a considerar a natureza do mestre a mesma que Deus. No concílio convocado pela figura do imperador, Jesus é transformado em Deus. Essa era uma questão que já estava acontecendo em Alexandria e que São Arrius já se levantara para que não deturpassem a mensagem do Cristo que ele tanto amava. E ele se levanta novamente, mesmo estando ali em minoria contra a ação de um império, junto aos ensinos Crísticos:

NÃO confundam a mensagem do Mestre: HÁ SOMENTE UM DEUS, SANTO VIVO E MISERICORDIOSO! SENHOR DE TODOS OS UNIVERSOS CONHECIDOS E DESCONHECIDOS, CRIADOS E AINDA NÃO CRIADOS, ONDE REPOUSA A ETERNIDADE! SÓ HÁ UM DEUS ETERNO E ABAIXO DELE, TUDO É A SUA CRIAÇÃO!

Somos convencidos em nosso monoteísmo histórico que nos foi passado como ensino apostolar: acreditamos profundamente na verdade Crística de que há somente um Deus.

No momento em que eu passo a aceitar mais de um Deus, deixo de ser monoteísta e passo novamente ao politeísmo. Nunca foi a vontade do Cristo que fosse considerado como Deus e por amor ao próprio Cristo, São Arrius falava:

NÃO FAÇAM ISSO COM O CRISTO JESUS!  NÃO CONFUNDAM A SUA MISSÃO E NEM DÊEM FALÊNCIA À SUA VINDA!

Porque a vinda e a missão do Mestre Jesus foi exatamente trazer o anúncio de um Pai único e Criador! Até aquele momento da compreensão humana, havia somente o Criador distante, cheio de ira e de caprichos. O Mestre é que nos traz a notícia de um Pai Criador, Amoroso e Misericordioso, que se importava sim, com cada criação Sua, e que as fez únicas e especiais aos Seus Olhos.

A convicção deste cristão que tem por nome Arrius, o impulsionou a se manifestar de forma intensa, contra este pensamento crescente que distorcia a mensagem do Cristo, que nunca afirmou ser ele o próprio Deus.

Em várias citações do Evangelho, O Mestre Jesus nos diz o seguinte:

– “Eu sou aquele que proclama o meu Pai”.

Quando o Mestre nos fala, “Eu e o Pai somos um”, significa que ele estava de acordo com a Vontade de Deus e não que seriam a mesma pessoa.

Em outras partes do Abençoado Evangelho, Jesus pergunta aos Apóstolos:

– “Eu sou aquele que serve a mesa. E quem é Aquele que senta a cabeceira da mesa? ”

E eles respondem ao Cristo:

“É o dono da casa”.

E a resposta clara do nosso amado Mestre:

– “Pois bem, eu sou aquele que serve Aquele que está à cabeceira, e vim para vos ensinar a servi-LO”

Em várias passagens do Evangelho, o Cristo afirma a individualidade do Pai Celestial, que há somente um Deus, e que ele (Jesus Cristo), é Missionário deste Pai Criador Perfeito e Eterno. Porque houve um tempo na criação em que o Mestre não existia – ele foi criado pelo Pai e a partir de então, a sua existência pela eternidade, que o Criador lhe permite. Deus o criou, o Mestre teve um início – e assim o é, pois há somente um Criador Eterno – o Pai Celestial.

O exílio de São Arrius

Esta foi “a grande contenda” que gerou toda perseguição, exílio e, por fim, o martírio de São Arrius: envenenado em Constantinopla, quando preparava a sua readmissão e indicação para o Patriarcado de Alexandria, fato esse que havia sido levantado pelo povo.

Guardamos com carinho a memória desse homem justo, mestre em cristianismo, sacerdote exemplar, verdadeiro amigo de Jesus que sofreu grande e injusta perseguição e calúnia por defender a verdade apostolar em sua época.

E como diz o Evangelho:

“Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinava na Sinagoga, pregava o Evangelho curando todo o mal e toda enfermidade. Vendo a multidão ficou tomado de compaixão, por saber que se debatiam como ovelhas sem pastor, disse então aos seus discípulos – a messe é grande, mas poucos são os operários para essa messe, roguemos a Deus que mande mais operários para que possam cuidar da messe do Senhor…” Mateus 9:35-38

São Arrius, amado Patriarca que foi chamado à messe do Senhor, e que mesmo afirmando como era pequeno diante de tão maravilhosa obra, sempre foi um fiel e verdadeiro operário de Deus.

São Arrius: exemplo de vida

O que pode unir as nossas histórias é exatamente o modo como São Arrius agiu dentro de cada problema na sua vida, como aqueles que nós também enfrentamos. Porque ele tinha várias dores em seu coração, assim como as marcas da partida de pessoas amadas, isso com toda certeza; e mesmo as frustrações em seus intentos e a grande traição ao final. Ele sofreu como todos nós, toda a dor que experimentamos no hoje, também essa abençoada figura experimentou em sua vida. Mas a todas essas dores, a todos esses percalços, a todos esses obstáculos, a toda essa maldade ele venceu, agarrado em Deus e apaixonado pelo Evangelho.

Talvez olhando um pouco mais para a sua vida, para as suas virtudes, para a sua moral ilibada, fé e esperança, nós também possamos ultrapassar as dificuldades e muitas vezes, o cárcere no coração, as dores na alma ou o aperto da vida. Que possa também nos inspirar a conseguir ultrapassar todos os obstáculos com a fé além da fé que é Emuná, com confiança, sabendo que a vitória habita os corações dos filhos do Eterno que é Deus.

Lembramos da sua obra, do seu exemplo, da sua fé, do pilar que São Arrius ergueu em seu íntimo para a adoração do Deus único e verdadeiro. Acima de tudo, São Arrius é venerável pelos milagres que ocorriam por onde passava e por sua compreensão plena e especial do primeiro mandamento da Lei de Deus, que é o resumo de todas as Leis, e que foi exatamente a base da vida e obra de São Arrius:

Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas! Amarás sobre tudo e todos, até mesmo acima da tua carne, acima do teu orgulho, acima do teu nome, acima dos teus!

Algo tão fácil de se falar, tão poético de se ouvir, mas tão difícil de ser vivido!  Abençoado seja São Arrius, espírito luminoso que defendeu o Cristo com a sua própria vida, que defendeu a verdade apostolar com todo o seu coração.

Ele que era muito conhecido pela cristandade e tão mal compreendido pelos teólogos, nos trouxe a flor da verdade, nos trouxe a flor da sinceridade e nos deu o coração retilíneo no amor a Deus.

São Arrius é exemplo de espírito altruísta, verdadeiro amigo do Cristo, um verdadeiro santo de fé inabalável e amor profundo por Deus e pelo próximo. Somos felizes por ter nos dado a conhecer a história desse abençoado cristão que caminhou neste mundo como agora caminhamos e que soube fazer a sábia opção de amar como Jesus Amou e adorar o Deus que Jesus adora. Viva São Arrius!

Para mais detalhes da sua biografia, acesse http://www.patriarcadoocidental.org.br/sao-arrius.php

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